"Os homens que se perdem por desejar, melhor fariam se se limitassem a sua necessidade"
“Ninguém parece ter pensado no fato de que, se a existência é absurda, for brilhantemente bem-sucedida tem tanto valor quanto fracassar”
“Assim se vive a vida de homem, no nosso universo: é preciso reconstruir sem parar a própria identidade de adulto, essa montagem capenga e efêmera, tão frágil, que reveste o desespero e que, quando se estão sozinho olhando para o espelho, conta a mentira em que se deve acreditar.”
“Nesses dias, precisamos desesperadamente da Arte, Aspiramos ardentemente a retornar nossa ilusão espiritual, desejamos apaixonadamente que algo nos salve dos destinos biólogos para que toda poesia e toda grandeza não sejam excluídas deste mundo.”
“Essa eclosão da beleza no centro das paixões efêmeras, não é isso que nós todos aspiramos? E não é isso que nós, Civilizações Ocidentais, não sabemos alcançar?... A contemplação da eternidade do próprio movimento da vida.”
“E se a literatura fosse uma televisão que a gente assiste para ativar nossos neurônios-espelhos e ter, sem grande esforço, os arrepios da ação? E se, ainda pior, a literatura fosse uma televisão que nos mostra tudo aquilo em que fracassamos?”
“Pois existe distração mais nobre, existe mais distraída companhia, existe mais delicioso transe do que a literatura?”
‘Não se deve esquecer os velhos de corpos estragados, os velhos que estão pertinho de uma morte em que os jovens não querem pensar, a inexistente alegria dessas derradeiras horas que deveriam ser aproveitadas a fundo e que são padecidas no tédio, na amargura e na repetição. Não se deve esquecer que o corpo definha, que os amigos morrem, que todos nos esquecem, que o fim é solidão. Esquecer muito menos que esse velhos foram jovens, que o tempo de uma vida irrisório, que um dia temos vinte anos e, nos dia seguinte, oitenta. (...) Mas, se tememos o amanha é porque não sabemos construir o presente e, quando não sabemos construir o presente, contamos que amanha saberemos e nos ferraremos, porque amanha acaba sempre por tornar hoje, não é mesmo?”
“A elegância do ouriço: por fora, é crivado de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes.”
“Nunca vemos alem de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes.”
“Suplico ao destino que me conceda a chance de ver alem de mim mesmo e encontrar alguém.”